Preguiça se torna o primeiro bicampeão absoluto da história do ADCC; Victor Hugo e Ana Carolina Vieira também conquistam o ouro, enquanto Yuri Simões vence Kaynan Duarte no superfight
O ADCC World Championship 2026 chegou ao fim neste domingo (13), na Tauron Arena, em Cracóvia, na Polônia, com o Brasil novamente no centro das atenções. E o último grande capítulo do evento ficou nas mãos de Felipe Pena.
Depois de cair na semifinal do +99 kg, o “Preguiça” deu a volta por cima no absoluto, chegou à decisão contra o também brasileiro Roosevelt Sousa e conquistou o ouro por finalização. O resultado colocou Felipe isolado na história: ele se tornou o primeiro atleta a conquistar duas vezes o título absoluto do ADCC.
Além de Felipe Pena, o Brasil terminou o evento com títulos importantes de Victor Hugo, campeão do +99 kg, e Ana Carolina Vieira, campeã do -65 kg feminino. Kennedy Maciel, nascido nos Estados Unidos e filho do brasileiro Rubens “Cobrinha” Charles, conquistou o -66 kg. No superfight que encerrou a programação, Yuri Simões derrotou Kaynan Duarte após uma lesão no ombro de Kaynan durante a prorrogação.
Felipe Pena entra para a história do ADCC
A trajetória de Felipe Pena em Cracóvia teve uma reviravolta digna de um dos grandes nomes de sua geração.
Preguiça iniciou o Mundial no +99 kg e avançou com duas finalizações, mas foi derrotado por Josh Saunders por decisão dos árbitros na semifinal. Felipe posteriormente não disputou o bronze da categoria.
A resposta veio no absoluto.
Felipe começou a campanha finalizando Francis Pana, depois venceu Eoghan O’Flanagan por 3 a 0 e, na semifinal, finalizou Ruslan Abdulaev. Do outro lado da chave, Roosevelt Sousa chegou à decisão depois de finalizar Tommy Langaker, Felipe Costa e Marlon Tajik.
A final colocou dois brasileiros frente a frente.
Roosevelt apresentou perigo principalmente com ataques nas pernas, mas Felipe conseguiu sobreviver aos momentos de pressão, encontrou as costas e encaixou o mata-leão, encerrando o combate aos 10min03s.
O ouro tem peso histórico. Felipe já havia conquistado o absoluto em 2017, edição em que derrotou Gordon Ryan na final. Nove anos depois, voltou ao topo para se tornar o primeiro bicampeão absoluto da história do ADCC.
Victor Hugo tem campanha perfeita no +99 kg
Se Felipe Pena escreveu história no absoluto, Victor Hugo foi um dos grandes destaques entre as categorias de peso.
O brasileiro conquistou o +99 kg com uma campanha impressionante: quatro lutas e quatro finalizações.
Na decisão, Victor finalizou Josh Saunders aos 8min49s e garantiu seu primeiro título mundial do ADCC. Segundo levantamento do BJJ Heroes, todas as quatro finalizações de sua campanha vieram a partir do jogo por baixo, algo especialmente incomum entre os pesos-pesados.
Após a conquista, Victor Hugo ainda afirmou que pretende se retirar das disputas do ADCC.
Ana Carolina Vieira vence batalha brasileira e fica com o ouro
No feminino, Ana Carolina Vieira também colocou o Brasil no lugar mais alto do pódio.
Depois de superar Nadia Frankland nas quartas e Mo Black na semifinal, Ana encontrou Sarah Galvão na grande decisão do -65 kg.
O duelo brasileiro foi uma verdadeira batalha e ultrapassou a marca de meia hora.
Ana Carolina conseguiu a finalização aos 32min29s, conquistando o título. Sarah ficou com a prata, enquanto Joslyn Molina, de apenas 14 anos, completou o pódio com o bronze.
Helena Crevar confirma fenômeno e faz história aos 19 anos
Um dos maiores nomes do ADCC 2026 foi Helena Crevar.
A norte-americana conquistou o título do +65 kg ao finalizar Anabel Lopez aos 6min04s na decisão. Mais impressionante ainda: Helena terminou sua campanha finalizando todas as adversárias.
Aos 19 anos, Crevar tornou-se a campeã feminina mais jovem da história do ADCC e, segundo o BJJ Heroes, a primeira mulher a conquistar uma categoria no evento vencendo todas as lutas por finalização.
O feito ganhou ainda mais destaque porque a chave começou com Gabi Pessanha como uma das grandes favoritas. A brasileira, entretanto, foi eliminada por Anabel Lopez por decisão dos árbitros ainda nas quartas de final.
Kaynan Duarte é surpreendido por Luke Griffith no -99 kg
Outro resultado que movimentou o domingo foi a derrota de Kaynan Duarte na final do -99 kg.
Kaynan chegou à decisão depois de finalizar Daniel Schuardt na semifinal e parecia próximo de mais um título. Mas Luke Griffith conseguiu uma grande virada e finalizou o brasileiro aos 14min47s, ficando com o ouro.
Kaynan terminou, portanto, com a prata na categoria.
E o domingo ainda reservaria outro momento complicado para ele.
Yuri Simões vence Kaynan no superfight após lesão
O ADCC 2026 terminou oficialmente com o aguardado superfight entre Yuri Simões e Kaynan Duarte.
Depois de um início cadenciado, o confronto ganhou intensidade durante a prorrogação. Em uma movimentação durante o scramble, Kaynan sofreu uma aparente lesão no ombro e não conseguiu continuar. O resultado oficial registrou vitória de Yuri por finalização aos 22min26s.
Com a vitória, Yuri conquistou seu primeiro título de superfight e chegou ao quarto título no ADCC. Pelo formato tradicional do evento, ele fica encaminhado para enfrentar o vencedor do absoluto — Felipe Pena — no superfight da edição de 2028.
Diego Pato conquista bronze no -66 kg
O Brasil também colocou Diego “Pato” Oliveira no pódio.
Depois de uma boa campanha, Pato encontrou Kennedy Maciel na semifinal e acabou derrotado por decisão dos árbitros. O brasileiro ficou com o bronze após Dominic Mejia não disputar o confronto pelo terceiro lugar.
Kennedy seguiu para a final e protagonizou uma longa batalha contra Gavin Corbe. A finalização veio somente aos 28min41s, garantindo o título do -66 kg.
Europa também deixa sua marca em Cracóvia
Competindo diante da torcida polonesa, Pawel Jaworski protagonizou uma das grandes histórias do campeonato.
Ele conquistou o -88 kg após superar Marlon Tajik na decisão. Antes disso, havia finalizado o brasileiro Gabriel Brod na semifinal.
No -77 kg, Magomed Dzharbaev ficou com o ouro ao superar PJ Barch por decisão dos árbitros na final.
A campanha europeia foi uma das mais fortes da história do torneio. Segundo levantamento do BJJ Heroes, atletas europeus terminaram o ADCC 2026 com oito medalhas, duas delas de ouro. A América do Sul liderou a contagem regional com nove medalhas.
Jasmine Rocha conquista o -55 kg
Na divisão feminina até 55 kg, Jasmine Rocha completou uma grande campanha com o título.
Ela finalizou Ana Mayordomo na semifinal e depois enfrentou Anna Rodrigues na decisão. Jasmine conseguiu novamente a finalização, desta vez aos 25min09s, e ficou com o ouro.
Anna levou a prata. Mayssa Bastos, que havia sido derrotada por Anna na semifinal, acabou finalizada por Ana Mayordomo na disputa do bronze e terminou fora do pódio.
Todos os campeões do ADCC 2026
- 🥇 Absoluto: Felipe Pena
- 🥇 +99 kg: Victor Hugo
- 🥇 -99 kg: Luke Griffith
- 🥇 -88 kg: Pawel Jaworski
- 🥇 -77 kg: Magomed Dzharbaev
- 🥇 -66 kg: Kennedy Maciel
- 🥇 Feminino +65 kg: Helena Crevar
- 🥇 Feminino -65 kg: Ana Carolina Vieira
- 🥇 Feminino -55 kg: Jasmine Rocha
- 🏆 Superfight: Yuri Simões
ADCC 2026 também ficou marcado por confusão no primeiro dia
Nem apenas de grandes lutas viveu a edição de Cracóvia.
No sábado, uma confusão envolvendo Dorian Olivarez e Bekzat Kapashov terminou em briga generalizada e ganhou enorme repercussão nas redes sociais.
O episódio começou durante o confronto entre os dois, quando Kapashov mordeu o dedo de Olivarez e o norte-americano respondeu com um tapa. A luta chegou a ser retomada, mas a tensão continuou fora do tatame e evoluiu para uma confusão envolvendo integrantes das equipes e outras pessoas próximas à área de competição.
Gordon Ryan, que estava no evento como treinador, também acabou envolvido na briga.
O episódio tornou-se uma das imagens mais comentadas do primeiro dia e contrastou com o alto nível técnico apresentado dentro dos tatames.
Brasil fecha ADCC 2026 com capítulo histórico
Cracóvia entregou um ADCC de renovação, surpresas e feitos históricos.
Foram 103 combates nas categorias de peso, com 50 finalizações — taxa de 48,5%. Os estrangulamentos partindo do controle das costas foram a finalização mais frequente, aparecendo 19 vezes.
Para o Jiu-Jitsu brasileiro, porém, a imagem que ficará desta edição provavelmente será a de Felipe Pena novamente no topo do absoluto.
Nove anos depois de sua primeira conquista, Preguiça voltou a vencer a divisão mais imprevisível do ADCC e estabeleceu uma marca inédita.
Ao lado dos títulos de Victor Hugo e Ana Carolina Vieira, das medalhas brasileiras e da vitória de Yuri Simões no superfight, o resultado confirmou mais uma vez a influência do Jiu-Jitsu brasileiro no principal palco do grappling mundial.
E, quando o ADCC retornar em 2028, uma história já estará pronta para ganhar um novo capítulo: Felipe Pena e Yuri Simões estão no caminho para um superfight entre dois dos nomes mais vencedores da geração.

