TATAMENAWEB | JIU-JÍTSU INTERNACIONAL | 13 DE OUTUBRO DE 2026
De Rodolfo Vieira, que surpreendeu faixas-pretas ainda como faixa-marrom, a Leandro Lo, Buchecha e Rafael Mendes, conheça os brasileiros que protagonizaram conquistas históricas e ajudaram a construir o prestígio de um dos maiores campeonatos de jiu-jítsu do planeta.
A história do Abu Dhabi World Pro não pode ser contada sem destacar o protagonismo dos atletas brasileiros. Desde a primeira edição, realizada em 2009, nos Emirados Árabes Unidos, competidores formados nas academias do Brasil ajudaram a transformar o campeonato em uma referência internacional de técnica, competitividade e conquistas.
Rodolfo Vieira, Rafael Mendes, Leandro Lo e Marcus Almeida, o Buchecha, estão entre os nomes que marcaram diferentes fases dessa trajetória. Mas a lista também inclui André Galvão, Cláudio Calasans e grandes representantes do jiu-jítsu feminino, como Gabi Garcia, Luanna Alzuguir e Bia Mesquita.
Muito além das medalhas, esses atletas protagonizaram episódios que ficaram registrados na memória de quem acompanha o esporte: vitórias improváveis, conquistas no peso e no absoluto, rivalidades de alto nível e campanhas que projetaram nomes brasileiros para o cenário mundial.
Com o Abu Dhabi World Pro se preparando para sua 18ª edição, em novembro de 2026, o TatameNaWeb revisita alguns dos capítulos mais marcantes dessa história.
Rodolfo Vieira: o faixa-marrom que virou Caçador de Faixas-Pretas
Destaque histórico: campeão do World Pro em 2009, ainda como faixa-marrom, depois de superar adversários mais graduados.
A campanha ajudou a popularizar o apelido de “Caçador de Faixas-Pretas”.
Poucas histórias representam tão bem a capacidade do jiu-jítsu de produzir resultados surpreendentes quanto a trajetória de Rodolfo Vieira no Abu Dhabi World Pro.
Em 2009, quando o evento realizou sua primeira edição, Rodolfo tinha apenas 19 anos e ainda era faixa-marrom. Naquele período, o regulamento permitia que faixas-marrons e pretas disputassem determinadas divisões em conjunto.
O jovem representante da GFTeam aproveitou a oportunidade para desafiar adversários mais experientes e protagonizar uma das campanhas mais emblemáticas da história inicial do torneio.
Entre as vitórias daquele campeonato, destaca-se o triunfo sobre o britânico Bráulio Estima, que já possuía dois títulos mundiais da IBJJF.
Rodolfo conquistou o ouro em sua categoria e ganhou projeção internacional. Ao retornar ao Brasil, recebeu a faixa-preta de seu professor, Julio Cesar Pereira, em uma graduação lembrada por ter acontecido no aeroporto.
O episódio consolidou o apelido que acompanharia sua carreira: Caçador de Faixas-Pretas.
Mas sua relação com o World Pro não terminou naquela primeira conquista.
Em 2011, Rodolfo voltou a vencer sua divisão e o absoluto. No ano seguinte, protagonizou uma final memorável contra André Galvão na categoria aberta, conquistando o título após vencer por 4 a 2.
Também acumulou vitórias importantes nos anos seguintes, incluindo a final do peso contra Pedro Peres, em 2013, e o triunfo sobre Luiz Panza, em 2014.
Esses resultados consolidaram Rodolfo como uma das figuras mais marcantes da fase inicial de expansão do campeonato.
Rafael Mendes: a técnica refinada que brilhou nas primeiras edições
Destaque histórico: campeão da categoria até 65 kg nas edições de 2009 e 2010.
Um dos representantes da geração que elevou o nível técnico das categorias leves.
Enquanto Rodolfo Vieira ganhava destaque pelas vitórias sobre adversários mais graduados, Rafael Mendes construía sua própria história nas categorias leves.
Conhecido pela precisão técnica, movimentação e desenvolvimento de um jogo de guarda extremamente sofisticado, Rafael tornou-se uma referência para atletas de diferentes gerações.
Sua trajetória no Abu Dhabi World Pro começou de forma vitoriosa.
Na edição inaugural, em 2009, Rafael conquistou a medalha de ouro na categoria até 65 kg, superando Rubens Charles “Cobrinha”, um dos grandes nomes de sua divisão, na decisão.
Em 2010, voltou a vencer sua categoria, consolidando sua presença entre os principais competidores daquele período.
As conquistas aconteceram em um momento especialmente importante para o desenvolvimento técnico do jiu-jítsu competitivo, marcado pelo aperfeiçoamento de posições de guarda, raspagens e transições que influenciariam a modalidade.
Rafael Mendes ajudou a demonstrar que as categorias mais leves poderiam oferecer confrontos de enorme complexidade estratégica e relevância internacional.
Seu legado ultrapassou o próprio campeonato, especialmente pela influência que seu estilo de luta exerceu na formação de outros atletas.
Leandro Lo: o campeão que marcou gerações
Destaque histórico: títulos do Abu Dhabi World Pro em 2011, 2013, 2014 e 2015.
Um dos competidores mais reconhecidos por sua capacidade de adaptação e estilo ofensivo.
Falar dos brasileiros que fizeram história no Abu Dhabi World Pro também significa recordar a trajetória de Leandro Lo.
Reconhecido por sua criatividade, resistência e agressividade competitiva, Leandro construiu uma carreira marcada por conquistas em diferentes categorias de peso.
No World Pro, seu nome aparece entre os campeões de 2011, 2013, 2014 e 2015.
Esses títulos ilustram uma característica que acompanhou sua trajetória: a capacidade de manter um alto nível competitivo ao longo de diferentes fases de sua carreira.
Leandro desenvolveu um estilo de luta que combinava guarda ativa, raspagens, ataques constantes e um ritmo capaz de pressionar adversários tecnicamente preparados.
Sua presença nos campeonatos internacionais também ajudou a fortalecer a reputação da escola brasileira de jiu-jítsu, especialmente pela forma como enfrentava oponentes de características físicas e estilos variados.
Ao longo dos anos, tornou-se uma referência de dedicação ao esporte e de busca permanente por novos desafios.
Leandro Lo faleceu em agosto de 2022, aos 33 anos, deixando um legado que permanece vivo entre atletas, professores e admiradores do jiu-jítsu.
Suas vitórias no Abu Dhabi World Pro fazem parte dessa história e ajudam a explicar por que continua sendo lembrado como um dos grandes nomes da modalidade.
Marcus Buchecha: a força de um gigante no peso e no absoluto
Destaque histórico: conquistas no World Pro de 2012 a 2014, além de campanhas vitoriosas no absoluto.
Um dos grandes especialistas nas divisões mais pesadas do jiu-jítsu.
Se alguns atletas fizeram história pela velocidade e movimentação, Marcus Almeida construiu sua reputação combinando potência física, explosão, técnica e grande capacidade de finalização.
Conhecido mundialmente como Buchecha, o brasileiro tornou-se uma das figuras centrais do jiu-jítsu de alto rendimento durante a década de 2010.
No Abu Dhabi World Pro, suas campanhas vitoriosas entre 2012 e 2014 ajudaram a consolidar sua posição entre os principais competidores do peso pesado e do absoluto.
Em 2012, conquistou o ouro na categoria acima de 100 kg. Nos anos seguintes, voltou a protagonizar disputas importantes.
Em 2013, conquistou o absoluto. Em 2014, alcançou uma das campanhas mais expressivas de sua trajetória no evento, vencendo tanto sua categoria quanto a divisão aberta.
A presença de Buchecha nas finais adicionava um componente especial à competição: mesmo com seu tamanho e força, o brasileiro apresentava movimentação e recursos técnicos que o tornavam extremamente difícil de enfrentar.
Sua trajetória no World Pro representa uma fase em que o campeonato reuniu alguns dos principais pesos pesados do planeta, oferecendo confrontos de alto nível técnico e grande repercussão.
André Galvão: três títulos consecutivos em Abu Dhabi
Destaque histórico: tricampeão do Abu Dhabi World Pro em 2012, 2013 e 2014.
Conquistas registradas na cronologia oficial de sua carreira.
Outro nome fundamental nessa história é André Galvão, um dos competidores mais completos de sua geração.
Com títulos importantes nos campeonatos da IBJJF, no ADCC e no circuito de Abu Dhabi, Galvão desenvolveu uma carreira que atravessou diferentes formatos de competição.
No World Pro, conquistou três títulos consecutivos, em 2012, 2013 e 2014.
O feito evidencia a consistência competitiva de um atleta reconhecido pela combinação entre preparo físico, técnicas de passagem de guarda, controle posicional e capacidade de adaptação estratégica.
Uma das lutas marcantes de sua passagem por Abu Dhabi aconteceu na final do absoluto de 2012, quando enfrentou Rodolfo Vieira.
Embora tenha sido superado naquela decisão, o confronto colocou frente a frente dois dos principais nomes da modalidade na época.
Mais tarde, Galvão ampliaria sua influência como professor e líder da equipe Atos, contribuindo para a formação de uma nova geração de campeões internacionais.
Cláudio Calasans: o campeão do peso e absoluto em 2010
O nome de Cláudio Calasans também ocupa lugar importante nos primeiros anos do Abu Dhabi World Pro.
Com formação sólida no judô e no jiu-jítsu, Calasans desenvolveu um estilo caracterizado por forte domínio das pegadas, equilíbrio, quedas e pressão posicional.
Em 2010, conquistou uma campanha memorável ao vencer sua categoria e o absoluto no World Pro.
A conquista foi especialmente relevante por acontecer em uma época em que o campeonato reunia competidores de diferentes faixas de peso e atletas já consagrados em competições internacionais.
Calasans também voltou a conquistar títulos em edições posteriores, consolidando sua presença entre os nomes de destaque do evento.
Sua trajetória é mais uma demonstração da diversidade técnica dos competidores brasileiros que ajudaram a construir a história do World Pro.
As brasileiras que também fizeram história no Abu Dhabi World Pro
A participação brasileira no Abu Dhabi World Pro não se limita às conquistas masculinas.
O jiu-jítsu feminino também protagonizou campanhas expressivas e ajudou a consolidar o prestígio internacional do torneio.
Entre os principais destaques estão Gabi Garcia, Luanna Alzuguir, Bia Mesquita, Michelle Nicolini e Luiza Monteiro.
Gabi Garcia construiu uma relação importante com o World Pro, acumulando títulos nas categorias mais pesadas e na divisão absoluta. Em 2014, conquistou ouro tanto em sua categoria quanto no absoluto, demonstrando o domínio que exerceu em diferentes competições internacionais.
Luanna Alzuguir também esteve entre as protagonistas das primeiras edições femininas, com conquistas relevantes em 2010, 2011, 2012 e 2013.
Bia Mesquita conquistou o título da categoria até 65 kg em 2015, enquanto Luiza Monteiro venceu sua divisão em 2014.
Já Michelle Nicolini, outra referência histórica da modalidade, também registrou conquistas em Abu Dhabi.
Essas atletas contribuíram para ampliar a visibilidade da participação feminina, demonstrando que o crescimento internacional do World Pro também passou pela valorização das mulheres no cenário competitivo.
Outros brasileiros que conquistaram espaço no World Pro
Embora os nomes mais conhecidos recebam grande parte da atenção, muitos outros atletas brasileiros participaram das primeiras edições e conquistaram resultados expressivos.
Na estreia de 2009, por exemplo, Michael Langhi conquistou o ouro na categoria até 75 kg, enquanto Tarsis Humphreys venceu sua divisão e o absoluto.
Gilbert Burns, conhecido posteriormente por sua carreira no MMA, também conquistou título no Abu Dhabi World Pro em 2010.
Outros competidores, como Xande Ribeiro, Roberto de Souza, Augusto Mendes e João Miyao, também aparecem entre os campeões de diferentes edições.
Essas conquistas ajudam a demonstrar que o sucesso brasileiro não dependeu apenas de alguns nomes de destaque, mas de uma geração ampla de competidores que levaram diferentes estilos, equipes e escolas técnicas ao campeonato.
Conquistas brasileiras que marcaram a história do World Pro
A tabela apresenta uma seleção de títulos confirmados, sem pretender representar o histórico completo de medalhas de cada atleta.
| Atleta | Conquistas de destaque |
|---|---|
| Rodolfo Vieira | Ouro em 2009 e títulos no peso e absoluto em edições posteriores |
| Rafael Mendes | Campeão até 65 kg em 2009 e 2010 |
| Leandro Lo | Campeão em 2011, 2013, 2014 e 2015 |
| Marcus Buchecha | Títulos entre 2012 e 2014, incluindo peso e absoluto em 2014 |
| André Galvão | Campeão em 2012, 2013 e 2014 |
| Cláudio Calasans | Ouro no peso e absoluto em 2010 |
| Gabi Garcia | Ouro no peso e absoluto em 2014 |
| Bia Mesquita | Ouro até 65 kg em 2015 |
O que esses campeões representam para o jiu-jítsu brasileiro?
O sucesso dos brasileiros no Abu Dhabi World Pro revela mais do que a qualidade individual de alguns atletas.
As conquistas representam o resultado de décadas de desenvolvimento técnico, formação de professores, consolidação de academias e evolução dos métodos de treinamento no Brasil.
Cada competidor que subiu ao pódio levou consigo uma história construída ao longo de anos dentro dos tatames.
Rodolfo Vieira mostrou que um jovem faixa-marrom poderia superar adversários consagrados. Rafael Mendes ajudou a elevar o nível técnico das categorias leves. Leandro Lo tornou-se símbolo de criatividade e competitividade. Buchecha demonstrou a força do jiu-jítsu brasileiro nas divisões mais pesadas.
André Galvão e Cláudio Calasans reforçaram a importância da consistência competitiva, enquanto as campeãs brasileiras mostraram a relevância do jiu-jítsu feminino na construção do prestígio internacional do evento.
Essas histórias ajudaram a projetar o Brasil no cenário mundial e continuam inspirando novas gerações.
O legado brasileiro continua no Abu Dhabi World Pro
Com a chegada da edição de 2026, o Abu Dhabi World Pro permanece como um palco importante para atletas que buscam reconhecimento internacional.
O crescimento de equipes de diferentes países tornou as disputas cada vez mais exigentes, ampliando os desafios enfrentados pelos competidores brasileiros.
Ainda assim, o histórico construído desde 2009 mantém o Brasil como uma referência fundamental na trajetória do campeonato.
A cada nova edição, outros atletas têm a oportunidade de escrever seus nomes ao lado daqueles que ajudaram a transformar o World Pro em um dos eventos mais reconhecidos do esporte.
E é justamente essa continuidade que torna a história do campeonato tão especial.
De Rodolfo Vieira a Leandro Lo, de Rafael Mendes a Buchecha, das primeiras campeãs às novas gerações, os brasileiros não foram apenas participantes do Abu Dhabi World Pro: foram protagonistas de sua história.
Esta reportagem faz parte da série especial do TatameNaWeb sobre o Abu Dhabi World Pro. A primeira matéria apresentou a origem do campeonato em 2009, sua evolução e o impacto de seus investimentos no jiu-jítsu internacional.
Fontes e checagem editorial
- Rodolfo Vieira — trajetória e resultados históricos
- Leandro Lo — histórico de conquistas
- Marcus Buchecha — resultados no World Pro
- André Galvão — cronologia oficial de títulos
- World Pro 2015 — resultados completos
- World Pro 2014 — resultados históricos
Leia também: Abu Dhabi World Pro: conheça a história do campeonato que transformou o jiu-jítsu

