Erick Visconde domina no grappling, vence no Contender Series, mas fica sem contrato com o UFC

Erick Visconde venceu Ilias Bulaid por decisão unânime, com triplo 30 a 27, no encerramento do Contender Series 2026. Apesar de dominar o confronto com seu grappling, o brasileiro não recebeu contrato com o UFC. Entenda a avaliação de Dana White, os detalhes da luta e o que pode acontecer com o campeão do LFA.

Brasileiro superou Ilias Bulaid por decisão unânime, com triplo 30 a 27, na luta principal do último episódio da temporada. Apesar do domínio no chão, desempenho não convenceu Dana White.

O brasileiro Erick Visconde venceu no Contender Series, mas deixou Las Vegas sem o contrato que buscava com o UFC. Na terça-feira (13), o peso-pena derrotou o até então invicto Ilias Bulaid por decisão unânime, com três cartões de 30 a 27, após controlar boa parte do confronto por meio de quedas e domínio no solo.

A apresentação aconteceu na luta principal do décimo e último episódio da temporada 2026 do Dana White’s Contender Series, realizado no Meta Apex, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Apesar da superioridade demonstrada durante os três rounds, Visconde não recebeu uma vaga no plantel do Ultimate.

A decisão chamou atenção por um motivo: o brasileiro executou uma estratégia eficiente de grappling, neutralizou um adversário com experiência internacional no kickboxing e venceu todos os rounds na avaliação dos três jurados.

Entretanto, sua atuação não correspondeu às expectativas de Dana White para a luta principal da última noite do programa.

O episódio reacendeu uma discussão conhecida entre os fãs de MMA: até que ponto uma vitória tecnicamente dominante é suficiente para impressionar os responsáveis pelas contratações do UFC?

Como foi a vitória de Erick Visconde contra Ilias Bulaid?

Erick Visconde entrou no octógono diante de um adversário perigoso na luta em pé.

Natural do Marrocos e representante dos Países Baixos, Ilias Bulaid chegou ao Contender Series invicto no MMA profissional, com nove vitórias e um histórico expressivo no kickboxing.

O brasileiro, por outro lado, apostou na combinação entre pressão, quedas e controle posicional para limitar as ações ofensivas do oponente.

Ainda no primeiro round, Visconde conseguiu levar Bulaid ao chão e passou a controlar suas movimentações, alcançando as costas do adversário e procurando oportunidades de finalização.

O representante dos Países Baixos conseguiu defender os ataques ao pescoço, mas encontrou dificuldades para escapar das posições de domínio.

No segundo round, o cenário se repetiu. Erick voltou a buscar as quedas e trabalhou por cima e nas costas do adversário, reduzindo o espaço para que Bulaid desenvolvesse sua trocação.

A estratégia permitiu ao brasileiro administrar boa parte do confronto longe da especialidade do oponente.

No terceiro e último round, Visconde também encontrou oportunidades de ataque em pé e manteve o controle das ações durante os momentos decisivos.

Ao final dos 15 minutos, os três jurados marcaram 30 a 27 a seu favor.

Resultado oficial: Erick Visconde venceu Ilias Bulaid por decisão unânime (30-27, 30-27 e 30-27).

Grappling foi a principal arma do brasileiro

A atuação de Visconde evidencia uma das principais características do MMA moderno: a importância de combinar diferentes modalidades para neutralizar as especialidades do adversário.

Diante de um competidor com experiência no kickboxing, insistir em uma luta predominantemente em pé poderia representar riscos desnecessários.

O brasileiro escolheu outro caminho.

Com quedas, controle das costas e transições no solo, Erick conseguiu diminuir as oportunidades de Bulaid trabalhar seus golpes mais perigosos.

Uma das posições mais exploradas durante a luta foi o controle das costas, situação em que o atleta tenta limitar a movimentação do adversário e criar oportunidades para estrangulamentos ou golpes.

Embora não tenha conseguido finalizar o combate, Visconde utilizou essas posições para acumular tempo de domínio e construir sua vantagem nos cartões.

Sob a perspectiva técnica, a estratégia teve êxito: o brasileiro venceu todos os rounds.

O resultado, porém, mostrou que o domínio posicional pode receber avaliações diferentes quando o objetivo é conquistar um contrato em um programa de seleção de talentos.

Por que Dana White não contratou Erick Visconde?

Após o encerramento do evento, Dana White anunciou quatro novos contratos, mas deixou Erick Visconde fora da lista.

O dirigente reconheceu a qualidade do grappling apresentado pelo brasileiro. Entretanto, afirmou que esperava outro tipo de desempenho na luta principal do episódio que encerrava a temporada.

Ao comentar a atuação, White descreveu a apresentação como uma demonstração de alto nível de grappling, mas considerou que o brasileiro não entregou o espetáculo que esperava naquela posição do card.

A avaliação evidencia uma diferença importante entre o objetivo competitivo de vencer uma luta e a proposta do Contender Series.

No programa, os atletas não disputam apenas uma vitória. Eles também tentam convencer os dirigentes de que possuem características para integrar o elenco do UFC.

A agressividade, a capacidade de buscar o encerramento antecipado e o ritmo de combate frequentemente ganham destaque nas avaliações após os eventos.

Isso não significa que o grappling seja desvalorizado como modalidade. O próprio UFC conta com campeões e atletas consagrados que construíram suas carreiras sobre o wrestling e o Jiu-Jitsu.

No caso específico de Visconde, entretanto, o controle das ações não foi suficiente para garantir sua contratação imediata.

Erick Visconde relatou lesão na mão durante o combate

Um detalhe revelado depois da luta ajuda a contextualizar o desempenho do brasileiro.

Segundo relatos publicados após o evento, Erick Visconde afirmou ter quebrado a mão durante o segundo round, o que teria limitado sua capacidade de desenvolver o combate da maneira que pretendia.

A declaração oferece uma explicação adicional para sua postura ao longo da luta, especialmente pela preferência em manter o controle posicional em determinados momentos.

É importante, porém, distinguir o relato do atleta de uma conclusão médica: a extensão da lesão e suas consequências dependem de avaliação clínica.

Independentemente da condição física, o resultado permanece expressivo.

Visconde enfrentou um adversário invicto e conseguiu impor seu plano de jogo durante os três rounds, sem perder nenhum deles na avaliação oficial.

Quem é Erick Visconde, campeão do LFA?

Erick Vieira Nascimento, conhecido como Erick Visconde, nasceu em Sorriso, no Mato Grosso, e construiu sua trajetória profissional no MMA antes de chegar ao Contender Series.

Aos 29 anos, o brasileiro chegou à competição como campeão peso-pena do Legacy Fighting Alliance (LFA), organização que serve de vitrine para atletas em busca de oportunidades em eventos internacionais.

Radicado em Curitiba, Visconde vinha de uma sequência de quatro vitórias consecutivas antes de enfrentar Ilias Bulaid.

Seu currículo inclui resultados tanto na trocação quanto no jogo de chão.

Antes da apresentação em Las Vegas, o brasileiro acumulava seis vitórias por nocaute e outras seis por finalização, demonstrando capacidade de encerrar confrontos em diferentes situações.

Em 2025, também ganhou destaque por uma cotovelada giratória contra Ary Faris, golpe reconhecido como um dos grandes nocautes daquela temporada no LFA.

Em maio de 2026, conquistou o cinturão peso-pena da organização ao superar Gustavo Pintos por decisão dividida.

A vitória sobre Bulaid amplia sua sequência positiva e reforça seu currículo competitivo, mesmo sem a contratação pelo UFC.

Quem conseguiu contrato no último Contender Series de 2026?

O episódio final da décima temporada teve cinco lutas e terminou com quatro atletas contratados.

Os selecionados foram:

  • Luis Francischinelli: brasileiro que venceu Will Rentz por nocaute técnico no primeiro round.
  • Douglas da Lapa: brasileiro que derrotou Davi Cabral por nocaute técnico no terceiro round.
  • Smilla Sundell: sueca que venceu Aline Pereira por decisão unânime.
  • Greg Foster: norte-americano que superou Jason Asher por decisão unânime.

Visconde foi o único vencedor daquela noite que não recebeu contrato.

Ao longo de toda a temporada 2026, o programa contratou 46 atletas, incluindo 11 brasileiros.

O número demonstra a importância do Contender Series como uma das principais portas de entrada para o UFC.

Vitória dominante ou espetáculo: o que pesa mais no MMA?

O caso de Erick Visconde coloca em evidência uma questão que vai além do resultado individual.

No MMA, quedas, controle posicional e domínio das costas são elementos técnicos fundamentais. Quando executados corretamente, podem neutralizar atletas perigosos na trocação e determinar o resultado de um confronto.

Por outro lado, o Contender Series possui uma dinâmica própria de seleção, na qual os dirigentes avaliam não apenas a capacidade de vencer, mas também a maneira como cada atleta se apresenta.

Nesse cenário, uma vitória dominante por pontos não garante automaticamente um contrato.

A discussão não deve ser reduzida à ideia de que lutar no chão é menos importante do que trocar golpes em pé.

O verdadeiro debate envolve a diferença entre eficiência esportiva, busca por finalizações e expectativas comerciais de uma organização que também produz entretenimento.

Visconde mostrou capacidade de aplicar uma estratégia vencedora contra um adversário tecnicamente qualificado.

Dana White, por sua vez, deixou claro que esperava uma atuação diferente na luta principal do encerramento da temporada.

Qual será o futuro de Erick Visconde?

Apesar de deixar o Contender Series sem contrato, Erick Visconde encerrou sua participação com mais uma vitória relevante no currículo.

O brasileiro segue como um atleta experiente, com passagem de destaque pelo LFA e resultados consistentes na divisão peso-pena.

Seu desempenho contra Bulaid demonstrou qualidade no grappling e capacidade de executar um plano de jogo eficiente diante de um adversário perigoso.

Ainda não há confirmação de uma nova oportunidade no UFC.

O que permanece é o contraste entre o resultado esportivo e a avaliação final: Erick Visconde venceu por triplo 30 a 27, mas precisará aguardar uma nova chance para transformar seu desempenho em um contrato com o Ultimate.

Para o público do Jiu-Jitsu e do grappling, sua apresentação deixa uma reflexão importante sobre o espaço do jogo de chão na seleção de novos talentos do MMA.

O TatameNaWeb seguirá acompanhando os próximos passos do brasileiro e as principais notícias do Jiu-Jitsu, grappling e MMA internacional.

Fontes:

UFC — Resultado oficial e análise dos rounds

UFC Brasil — Perfil de Erick Visconde

Sherdog — Declarações de Dana White

CBS Sports — Relato da lesão na mão