Roberto Satoshi Souza voltou a mostrar por que é um dos principais representantes do Jiu-Jitsu brasileiro no MMA japonês. Nesta quinta-feira (10), no Super RIZIN 5, realizado no Kyocera Dome Osaka, no Japão, o ex-campeão peso-leve venceu Shunta Nomura por decisão unânime e, após o combate, revelou ter sofrido um deslocamento no ombro durante a luta. Mesmo lesionado, o faixa-preta conseguiu impor seu grappling nos momentos decisivos e saiu com a vitória.
Os três juízes marcaram 29-28 para Satoshi, que voltou ao caminho das vitórias depois de perder o cinturão da organização no fim de 2025. Mais do que uma recuperação no cartel, o triunfo recolocou o brasileiro diretamente na conversa pelo título dos leves.
Jiu-Jitsu faz a diferença desde o primeiro round
O confronto colocou frente a frente estilos distintos. Nomura, campeão dos leves do DEEP e com forte base no karatê, procurou usar sua movimentação e os golpes em pé. Satoshi, como esperado, buscou diminuir a distância e levar a luta para seu território.
No primeiro round, depois de ser atingido por um golpe de direita do japonês, Satoshi encurtou a distância e trabalhou pela queda. O brasileiro conseguiu colocar Nomura no chão, aplicou golpes por cima e posteriormente chegou às costas do adversário. Nomura conseguiu escapar antes do fim do assalto, mas o controle do brasileiro foi suficiente para lhe dar vantagem no período.
O cenário mudou no segundo round. Nomura defendeu melhor as tentativas de queda e passou a encontrar espaço com o jab e a direita. Um dos golpes abriu um pequeno corte próximo ao olho direito de Satoshi, e o japonês conseguiu equilibrar o combate.
Tudo ficou para os cinco minutos finais.
Ombro deslocado não impede domínio no terceiro round
Foi justamente antes do terceiro round que surgiu o maior obstáculo para o brasileiro. Após a luta, Satoshi afirmou que seu ombro havia saído do lugar no início do último assalto.
Ainda assim, o especialista em Jiu-Jitsu conseguiu executar exatamente o jogo de que precisava.
Satoshi aproveitou um ataque de Nomura para entrar nas pernas e conseguir a queda. Por cima, ameaçou uma chave de braço e avançou até conquistar as costas. Com o controle através do body triangle, passou a buscar o mata-leão e alternou as tentativas de finalização com golpes, mantendo o japonês sob pressão praticamente até o fim.
O domínio no terceiro round confirmou o resultado: 29-28, 29-28 e 29-28, vitória por decisão unânime.
A atuação ganhou ainda mais peso depois da revelação da lesão.
“Quando começou o terceiro round, meu ombro saiu do lugar. Depois que eu cuidar do ombro, quero uma chance no evento de Ano-Novo”, declarou Satoshi após a vitória, segundo o BoutReview.
Vitória recoloca Satoshi na corrida pelo cinturão
O resultado chega em um momento importante da carreira do faixa-preta.
Satoshi se tornou o primeiro campeão peso-leve da história do RIZIN em junho de 2021, quando finalizou Tofiq Musayev em apenas 72 segundos. A partir dali, construiu um longo reinado na organização japonesa e se consolidou como um dos maiores nomes estrangeiros do evento.
O brasileiro permaneceu no topo da divisão por mais de quatro anos e acumulou defesas de cinturão contra adversários como Yusuke Yachi, Johnny Case, Luiz Gustavo, Vugar Karamov e Yoshinori Horie.
A sequência terminou de forma inesperada em 31 de dezembro de 2025. Escalado para enfrentar Ilkhom Nazimov após uma mudança de adversário, Satoshi sofreu um nocaute com apenas 13 segundos de luta e perdeu o cinturão.
Desde então, o título mudou novamente de mãos.
Em maio deste ano, Luiz Gustavo nocauteou Nazimov no primeiro round do RIZIN 53 e se tornou o atual campeão peso-leve da organização.
E é justamente aí que uma eventual disputa de cinturão ganha um ingrediente especial.
Revanche brasileira pode valer o cinturão
Roberto Satoshi conhece muito bem Luiz Gustavo.
Os dois se enfrentaram em setembro de 2024, quando Satoshi ainda era campeão. Na ocasião, o faixa-preta precisou de apenas 21 segundos para derrubar Gustavo com um golpe de esquerda e encerrar o combate com golpes no chão, mantendo o cinturão.
Agora, os papéis estão invertidos.
Luiz Gustavo é o campeão, enquanto Satoshi tenta reconstruir o caminho até o topo. A vitória sobre Shunta Nomura fortalece consideravelmente essa possibilidade, principalmente porque o próprio brasileiro já deixou claro que deseja voltar em 31 de dezembro, data tradicionalmente reservada pelo RIZIN para um de seus maiores eventos do ano.
Antes do Super RIZIN 5, Satoshi já tratava o duelo contra Nomura como uma luta capaz de aproximá-lo novamente do cinturão. O faixa-preta também afirmou que pretende aproveitar a crescente parceria entre RIZIN, PFL e outras organizações para buscar grandes confrontos internacionais no futuro.
Mas, primeiro, há uma questão imediata: recuperar o ombro.
Do tatame para o topo do MMA japonês
A trajetória de Roberto Satoshi é especialmente significativa para o Jiu-Jitsu brasileiro.
Com um jogo construído a partir da arte suave, o brasileiro conseguiu transportar para o MMA um nível de grappling capaz de decidir lutas mesmo contra adversários mais acostumados à trocação. Contra Nomura, isso ficou evidente novamente.
Quando o duelo em pé ficou mais perigoso e o corpo apresentou um problema físico no momento decisivo, foi o controle posicional, a capacidade de chegar às costas e a constante ameaça de finalização que garantiram a vitória.
Satoshi não conseguiu a finalização que tantas vezes marcou sua carreira no Japão, mas mostrou outra característica de campeão: capacidade de administrar adversidade.
Agora, depois de vencer um dos principais nomes emergentes da divisão mesmo com o ombro comprometido, o ex-campeão deixa Osaka com uma mensagem clara para o RIZIN: ele quer seu cinturão de volta.
E uma eventual revanche contra Luiz Gustavo colocaria novamente dois brasileiros frente a frente pelo posto mais alto da divisão dos leves no maior palco do MMA japonês

